Contra ou a favor? Como alguém pode ser radicalmente contra ou radicalmente a favor dos transgênicos? Esse tema é delicado demais para se admitir discussões apaixonadas. O verdadeiro perigo da ciência e do futuro da humanidade é a falta de informação.
Não faz muito sentido me prender a definições. Isso pode ser encontrado facilmente na internet. Então vou fazer desse post mais um desabafo e um estímulo a busca pela informação do que uma exaustiva listagem de prós e contras.
Engraçado como grande parte da população se posiciona radicalmente contra os alimentos transgênicos enquanto estão sendo diariamente bombardeados com alimentos ricos em herbicidas, pesticidas (normalmente neurotóxicos), fungicidas e certos adubos, que além do efeito devastador ao organismo pode causar sérios danos aos ecossistemas.
Os cientistas não são insanos, não estão querendo extinguir a raça humana da terra, não vão produzir uma criatura fantástica e lançar por aí pra ver no que dá. O que buscam é uma forma de obter plantas resistentes a insetos pragas, a herbicidas, a metais tóxicos do solo, a fungos; alimentos com maior valor protéico e proteínas mais completas, óleos mais saudáveis, arroz com carotenos, etc. São as plantas transgênicas, com suas defesas genéticas, que representam a esperança de uma efetiva redução no uso dos agrotóxicos - esse sim devemos temer.
Muitos ainda não sabem disso, mas a planta transgênica não é nenhuma novidade. Os transgênicos são cultivados em 39,9 milhões de hectares e consumidos por milhões de pessoas há mais de dez anos e adivinhem? Sem inconvenientes. Ah, ia me esquecendo, você pode estar questionando quanto às reações alérgicas que alguns transgênicos provocaram, então vou dar um exemplo, existem pessoas que são alérgicas a peixe. Peixe faz mal a saúde?
A liberação dos alimentos transgênicos para o consumo, não é sinônimo de uso descontrolado e sem limites. Os ambientalistas se preocupam, e com razão, com o impacto ambiental que a tecnologia pode acarretar. É necessário implementar medidas de biossegurança a fim de evitar danos à saúde e ao meio ambiente. A comunidade científica entende que deve ser feita uma moratória de 5 anos para a liberação das plantas transgênicas para cultivo intensivo, tempo necessário para que os estudos de impacto ambiental sejam realizados conforme o parecer técnico emitido pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) Este tempo servirá também, para a realização de novos estudos sobre o efeito destes produtos na saúde humana e animal.
Quando se fala em transgênicos, alguns defensores - repetidores de slogans- , afirmam que os alimentos geneticamente modificados (OGMs) serão capazes de reduzir o problema da fome. Não consigo entender como a fome poderia ser combatida com o aumento na produção de transgênicos. Poxa, todos nós sabemos que o problema da fome no mundo não é reflexo da falta de alimento ou da baixa produção, e sim da pirada distribuição de renda. Que o diga o Brasil.
Não se pode ignorar esse grande passo na tecnologia em função de campanhas feitas por organizações leigas. Essa questão exige preparo intelectual da comunidade científica e consciência nas decisões.