A Lei da Biossegurança criada em 2005, permitiu, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias (CTE) obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, desde que os embriões sejam "inviáveis" ou congelados há três anos ou mais. E apenas os que já estavam congelados no momento da aprovação da lei, para coibir a produção comercial de embriões. Além disso, os genitores precisam autorizar a doação. Diferente do que se ouve por aí, os cientistas não usam fetos abortados nem brincam com vidas em formação.Sem dúvida, um passo gigantesco pro avanço da biotecnologia no Brasil. Pois é, mas essa lei está sendo ameaçada por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), de iniciativa do católico fervoroso, subprocurador-geral da República, Cláudio Fonteles. A ADI deve ser julgada pelo STF em fevereiro de 2008.
A tal ADI se baseia nos seguintes pensamentos:
1) De que a vida humana acontece no momento da fecundação;
2) De que a pesquisa com células-tronco adultas (CTA) é mais promissora do que a pesquisa com CTE, até porque, com as primeiras, resultados auspiciosos acontecem, do que não se tem registro com as segundas. Afirmam que utilizando as CTAs não será necessário utilizar embriões.
Em relação à definição de vida humana, a questão em pauta não é determinar quando se inicia a vida, mas sim o STF julgar a que formas de vida humana o Artigo 5o da nossa constituição garante “a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...”.
Será que devemos dar esses direitos supracitados a um embrião congelado não desejado pelos seus pais biológicos e cujo destino será o lixo em vez de dar a uma criança com deficiência que tem como única esperança de vida a pesquisa com aquele embrião? A questão é bom senso.
Do ponto de vista científico, a afirmação de vantagens das pesquisas com CTAs sobre aquelas com CTEs é absurda. A pesquisa com CTE está em franco desenvolvimento e resultados preliminares não são verdades absolutas.
É fundamental que se entenda a importância da experiência terapêutica, veja bem, ainda não existe tratamento com CTE. Mas a pesquisa é a escada pra se chegar um dia a aplicação de uma terapia.
As CTEs são células totipotentes (capazes de se diferenciarem em todos os tipos de tecidos do corpo humano), isso quer dizer que elas se transformam em células, musculares, epiteliais, neuronais, cartilagionosas, etc). Mais claramente, isso significa que o objetivo das pesquisas, num futuro não muito distante, é regenerar um fígado, um rim ou um coração, ou até mesmo fabricar esses órgãos. (Só lembrando, isso não se trata de clonagem humana, chama-se clonagem terapêutica – aliás, esse tema merece um post).
Já as CTAs são células capazes de se diferenciar em alguns tecidos humanos, mas não em todos. As CTEs, em animais, foram capazes de exercer efeitos terapêuticos em modelos de várias doenças, entre elas a doença de Parkinson e paralisia por trauma de medula espinhal.
Ah, abrirei aqui, uma chave para um alerta importante, tenhamos cuidado com qualquer oferta de tratamento com CTE. Não é uma “panacéia universal”, há muito que se estudar e muitos riscos a se eliminar. Apesar de ser um investimento altamente promissor, esse é um estudo que demanda muitos e muitos anos.
Cientistas e principalmente religiosos, ficaram animados quando, no fim do ano passado, foi apontada como uma das maiores descobertas do ano, a de que a pele humana pode servir de fonte de célula tronco embrionárias, poupando assim os embriões. Outra descoberta foi o desenvolvimento de várias linhagens de células usando uma única célula retirada de um embrião, que foi então congelado ileso. E outra recente foi a descoberta de células-tronco embrionárias no líquido amniótico. Apesar dos resultados alcançados, os cientistas envolvidos nessas pesquisas, alertaram para o perigo de abandonar outras vias de pesquisas de CTE. Disseram que essas células da pele foram reprogramadas e que reprogramar as células de um indivíduo para imitar células-tronco fornece um método para criar células feitas sob medida para cada paciente o que torna o tratamento bem mais caro e mais demorado do que usar células de embriões. E também reconhecem que é preciso descobrir muito mais sobre o novo tipo de célula criado pela reprogramação, e encontrar um modo de criá-las sem o risco de que se transformem em tumores.
Pesquisas com CTEs estão sendo feitas em vários países, o Brasil possui bons cientistas e ótimas universidades e institutos de pesquisas com grande potencial. Não podemos ficar de fora, se dependermos de patentes de outros países, o custo dos tratamentos será altíssimo e, portanto, limitado a um número ínfimo de brasileiros que poderão pagar pelo acesso.
Por fim, às claras, a maior ameaça para o funcionamento dessa lei no Brasil, tem sido a igreja católica. Em minha opinião, ela por si só é um paradoxo. Quanto dinheiro é gasto com sua santidade enquanto milhares de pessoas vivem na miséria e morrem de fome, enquanto pesquisas estão paradas por falta de recurso. Quantas pessoas vivem o drama de uma doença progressiva e incurável. “Deixemos bem claro: A lei não permite criar novos embriões para utilizar na pesquisa, não seria uma fábrica de destruição humana, longe disso. Ela permite utilizar os embriões congelados que não serão utilizados, isto é, os que NUNCA seriam colocados num útero humano por serem inviáveis ou rejeitados pelos pais biológicos”.
A igreja condena a pesquisa com CTE, mas se silencia com os escândalos de pedofilia. Essa não é uma causa para a igreja, o Brasil é um país laico, uma crença não pode ser imposta, ainda mais sem fundamento. Não seria melhor cuidar dos seus padres e deixar a causa com os cientistas?
Se formos falar de religiosidade, será que Deus concordaria em privar uma criança da esperança de cura para preservar a integridade de um embrião que seria fatalmente descartado?
Existe uma petição em prol da pesquisa com células tronco embrionárias, para apoiar acesse o site: http://www.petitiononline.com/pesqcel/petition.html
Cientistas e principalmente religiosos, ficaram animados quando, no fim do ano passado, foi apontada como uma das maiores descobertas do ano, a de que a pele humana pode servir de fonte de célula tronco embrionárias, poupando assim os embriões. Outra descoberta foi o desenvolvimento de várias linhagens de células usando uma única célula retirada de um embrião, que foi então congelado ileso. E outra recente foi a descoberta de células-tronco embrionárias no líquido amniótico. Apesar dos resultados alcançados, os cientistas envolvidos nessas pesquisas, alertaram para o perigo de abandonar outras vias de pesquisas de CTE. Disseram que essas células da pele foram reprogramadas e que reprogramar as células de um indivíduo para imitar células-tronco fornece um método para criar células feitas sob medida para cada paciente o que torna o tratamento bem mais caro e mais demorado do que usar células de embriões. E também reconhecem que é preciso descobrir muito mais sobre o novo tipo de célula criado pela reprogramação, e encontrar um modo de criá-las sem o risco de que se transformem em tumores.
Pesquisas com CTEs estão sendo feitas em vários países, o Brasil possui bons cientistas e ótimas universidades e institutos de pesquisas com grande potencial. Não podemos ficar de fora, se dependermos de patentes de outros países, o custo dos tratamentos será altíssimo e, portanto, limitado a um número ínfimo de brasileiros que poderão pagar pelo acesso.
Por fim, às claras, a maior ameaça para o funcionamento dessa lei no Brasil, tem sido a igreja católica. Em minha opinião, ela por si só é um paradoxo. Quanto dinheiro é gasto com sua santidade enquanto milhares de pessoas vivem na miséria e morrem de fome, enquanto pesquisas estão paradas por falta de recurso. Quantas pessoas vivem o drama de uma doença progressiva e incurável. “Deixemos bem claro: A lei não permite criar novos embriões para utilizar na pesquisa, não seria uma fábrica de destruição humana, longe disso. Ela permite utilizar os embriões congelados que não serão utilizados, isto é, os que NUNCA seriam colocados num útero humano por serem inviáveis ou rejeitados pelos pais biológicos”.
A igreja condena a pesquisa com CTE, mas se silencia com os escândalos de pedofilia. Essa não é uma causa para a igreja, o Brasil é um país laico, uma crença não pode ser imposta, ainda mais sem fundamento. Não seria melhor cuidar dos seus padres e deixar a causa com os cientistas?
Se formos falar de religiosidade, será que Deus concordaria em privar uma criança da esperança de cura para preservar a integridade de um embrião que seria fatalmente descartado?
Existe uma petição em prol da pesquisa com células tronco embrionárias, para apoiar acesse o site: http://www.petitiononline.com/pesqcel/petition.html

